O que as manifestações de Outubro no Chile, Hong Kong, Líbano e Espanha têm em comum?

A busca pela democracia e direito do povo. Prometo ser pragmático!

Barcelona, Espanha.

Muitos de vocês devem ter ouvido falar na palavra/região: Catalunha. Para quem ainda não sabe, o território catalão, terra de Gaudi, Dalí, Miró e vários outros artistas, possui quase 8 milhões de habitantes, tendo a cidade de Barcelona como a mais famosa. Sabe aquela igreja super famosa que nunca fica pronta (Sagrada Família), igual às obras no RJ? Então... faz parte da Catalunha. 

Em 2017, houve uma tentativa de independência por parte de uns separatistas locais. Apesar da votação na Catalunha e 90% da população aprovar a independência da região, o resultado foi, de acordo com a Suprema Corte Espanhola, ilegal, segundo à constituição. Os principais líderes foram detidos e o líder ou presidente do governo catalão fugiu a tempo para a Bélgica. 

Resumindo, semana passada, a Suprema Corte condenou 9 líderes separatistas, e consequentemente, as manifestações começaram a pipocar em Barcelona. O único que não foi julgado, foi o ex-presidente catalão, mas foi expedido um mandado internacional de prisão. 

A consequência até agora? Centenas de milhares de manifestantes nas ruas, mais de 120 presos e 207 feridos. Lojas, escolas, escritórios foram fechados. Até a rodovia fronteiriça com a França foi bloqueada pelos manifestantes. 

Santiago, Chile.

Não vou entrar muito na história Chilena, mas com certeza os nomes Pinochet e Salvador Allende acenderão uma luz, certamente. Não...? Nada...? Golpe de Estado em 73...? Enfim...

O que de fato aconteceu? Assim como em diversos países, ninguém, ou pelo menos muita gente não quer fazer papel de palhaço. Quem lembra das passeatas contra o aumento da tarifa dos ônibus? Pois é... Em Santiago não foi diferente após a decisão do governo em aumentar o valor da passagem de metrô em 30 pesos (4% de aumento), aproximadamente 20 centavos. O problema foi a manifestação violenta, que levou o presidente a decretar Estado de Emergência em Santiago, por pelo menos 15 dias, além de decretar toque de recolher. Centenas de pessoas foram presas e dezenas de lojas e estabelecimentos comerciais foram vandalizados. Voos foram cancelados. 

No último sábado, o presidente cancelou o aumento das tarifas, mas aparentemente os manifestantes estão aproveitando o caos para revogar outros assuntos, como o alto custo de vida, corrupção, dentre outros. 


Beirute, Líbano.

Você sabia que o Líbano é o único país árabe sem deserto? Isso não vem ao caso, mas como não achar isso interessante?! 

Vamos ao que interessa... 

Nos últimos dias, milhares de manifestantes vêm reivindicando uma reforma do governo (mais precisamente a renúncia do primeiro-ministro, do presidente, e do presidente do parlamento). 

OBS: Enquanto o país vive uma crise econômica, o primeiro-ministro é acusado de ter fornecido 16 milhões de dólares à uma modelo sul-africana, segundo a matéria do The New York Times?

Sim, me parece familiar, caso você seja brasileiro...

O país, que é um dos destinos para compras mais populares do mundo, possui alta taxa de desemprego, que é de pelo menos 25%, além de ter uma precária infraestrutura, falta de água e energia elétrica, dentre outros problemas que encontramos no Brasil. 

Como resposta às manifestações, consideradas uma das maiores nas últimas décadas - e abro parênteses para a participação do cunhado do presidente - hoje, segunda-feira, o governo se reunirá para discutir reformas como reduzir o salário dos ministros, além de privatizar a principal Cia de telecomunicação do país. O  que a vontade do povo não faz... 


Hong Kong

Primeiramente, é importante entender que Hong Kong não é qualquer cidade da China, e sim um território Chinês com autonomia. Complicado? Vou tentar resumir ainda mais em 3 pontos:

1) 1842: A China cede Hong Kong ao Reino Unido

2) 1997: Hong Kong é devolvida aos chineses e passa a ser uma região administrativa autônoma, que inclui um sistema político e a própria estrutura econômica. Os únicos “poréns” são em relação à defesa e relações diplomáticas, sob controle chinês. Adotou-se o acordo: um país, dois sistemas. 

3) 2047: data em que Hong Kong será completamente controlado pela China, de acordo com o tratado, se nada mudar.

Tendo em vista esta breve explicação, vamos lá!

A maioria da população de Hong Kong não se vê como chinesa. Em 2014, protestos foram realizados contra a intromissão chinesa na política interna de Hong Kong, mas a polícia logo encerrou o assunto. 

Em Junho deste ano, novamente, protestos (conhecidos como a revolta do guarda-chuva: Duvido que você não tenha pelo menos ouvido) tomaram conta das ruas de Hong Kong, bloqueando as principais vias de acesso aos prédios do governo. Os manifestantes são contra os planos do governo local para permitir extradições de Hong Kong para a China.

Em agosto desde ano, os manifestantes invadiram os aeroportos e pelo segundo dia consecutivo, todos os check-ins foram suspendidos.

A propósito, os Estados Unidos passaram a apoiar os ativistas desde o dia 14 de Outubro.

Infelizmente, já se pode observar vandalismo entre as manifestações, as quais gradualmente vão se tornando mais violentas.


Hong Kong: O iniciou da revolta do guarda-chuva

O que todas as manifestações têm em comum? 

- A busca pela Democracia

- A rápida comunicação influenciou muito cada uma dessas manifestações, e cada vez mais, torna-se difícil às autoridades estarem um passo à frente da população, que está cansada de ser explorada pelos governos, que camuflam a verdadeira situação econômica e social do país. 

- Outro fato que acho fascinante é ver que independente da crença, regiāo do planeta, partido político, quando realmente a população se reúne para lutar pelo que é justo para o povo, e não para a minoria de pessoas com poder, o resultado é acolher o desejo da população. O descontentamento, a desigualdade social e revolta não acontece da noite para o dia, e sim através de longos anos de maquiagem do verdadeiro sistema. Seja por corrupção em um governo apoiado pelo Hezbollah (aquele grupo xiita, que é considerado terrorista por países do Ocidente, Liga Árabe, Israel, e por aí vai...), seja do protesto contra à esquerda da China ou o caos econômico liderado pelo chefe de estado de direita Piñera, no Chile. 

Não adianta! A história se repete, independente do governo.

Como disse Abraham Lincoln, a liberdade ou democracia é: o "Governo do povo, pelo povo, para o povo". 

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